A vida é como caminhar num labirinto. Não podemos permanecer dentro dele para sempre, isso dizia-nos que estávamos perdidos.
Um arco-íris de penumbra rasga o céu que se contorce ao sabor das nuvens que deslizam por ele. É verdade, e é mentira o que da nossa boca sai. A verdade não tem medida, e a mentira é desmedida. A verdade tem espinhos de consequências tal como o que é irreal. Será o luar da lua que veracidade acarreta na conclusão do adágio da realidade....
Certezas quem as tem? Ninguém! Apenas somos presenteados com o agora. Esse sim é eterno, pois está sempre a se auto multiplicar. Derivação inconstante que origina momentos de êxtase e perplexidade, sobre o amanhã que é filho do agora e do ontem. A eterna duvida, recria-se em resposta perante a tomada de consciência, pois complementa-se e descobre de onde provêm. Aprendeu o grau de semelhança em tudo o que existe e descobriu o porquê da sua diversidade. Essa é devido a questão que emerge na mente. Porquê? Então como não se reconhece desdobra-se no inverso e finalmente descobre que foi e é tudo o que sempre julgou.
Corremos em busca de um porquê. De uma só, sequer razão. E de tanto a procurarmos, damos conta do porquê que se encerra dentro da sua busca interminável. Como se a quietude fosse a nossa pior fatalidade. Somos semi-deuses desprovidos do poder criador da vontade. Sem uma razão, sem uma vontade. Vivemos na esperança de encontrarmos aquilo porque ansiamos, e a maior parte não vê que nem sabe realmente o que quer, vêm-se perdidos no meio do infinito oceano de pensamentos vagos.
Intransigente é o medo que nos devora, que nos faz apodrecer perante a vontade.
Se ao menos o mar fosse céu e a terra mar. Os peixes pássaros e os pássaros peixes. O sol a lua, a lua o sol. E se, e se…O Outono a primavera e o verão o Inverno. Apenas nesse outro inverso, eu seria eu e tu ao mesmo tempo. Ai, eu ou tu poderíamos, voar pelas imensas asas do iminente reconhecimento, que se estende como uma onda acabada de rebentar de encontro a areia. Voar, rodopiar em pensamentos tão fantásticos que nos afogaríamos na gigantesca vida de cada um deles, absorvidos novamente por sentimentos nunca antes revelados. E se o branco fosse verde e o azul fosse amarelo, como seria o mundo, como seríamos? E se as estrelas saltassem de um sítio para outro como que se dançassem. E se...
Entre as leis do amor e as leis da paixão.
Quais delas enlaçam os seres?
Como é que eles se unem verdadeiramente uns aos outros?
Sentimento por desvendar. Afinal será ilusão ou sentimento? Será saudade pela luxúria?.. ou apenas curiosidade sem alicerce por um complemento incerto e intenso… Rasgo do concreto, a alma transforma-se em teias de nervo, essas entram em efervescência... A unidade permanece unidade, no entanto aglomerada pelo desejo perpétuo, pela certeza que o sorriso tece e transparece no olhar de quem chama pelo o seu sentido...
E se tudo fosse um gigantesco cenário feito de mil e um fragmentos espalhado pelo infinito. E nós percorrendo-o a alta velocidade, esses mesmos fragmentos, viveríamos numa dança infinita de movimentos desconexos, como se estivéssemos a fazer um filme e a vê-lo ao mesmo tempo, sem saber o principio nem o fim. Pois na verdade somos também fragmentos espalhados e espelhados, que viajamos em dança eterna sobre mil pedaços de matéria.
"Trinta raios convergem para o centro.
Mas é o vazio mediano
que faz andar o carro.
Modela-se a argila para com ela fazer vasos,
mas é do vazio interior
que depende o seu uso.
Numa casa abundam portas e janelas,
é ainda o vazio
que permite habitá-la
O ser tem aptidões
que o não-ser emprega"
Lao-Tseu, Tao-tö-King
A “invenção” de um amor é a necessidade de pertencer, ela faz soar a necessidade de rever, voltar a sentir, deixar fluir sem deixar o mundo ruir. Quero ver o mundo a sorrir, de volta para mim. Estou no ar, a rodopiar, sou uma borboleta que nunca cessa a sua metamorfose Eu a Eternidade tenho de me auto-transformar. Estar sempre a girar. Pelo o ontem, pelo o amanhã, pelo o hoje. O passado trás nos recordações, o futuro expectativas o presente o dia-a-dia, e esse apenas depende da nossa capacidade de o abraçarmos.
A igualdade perdeu-se face à inerente vontade de poder que reside em cada ser. Será utopia pensar no seu sentido? Ou fantasia de algo que nunca se realiza?
A ambiguidade será ela defeito do espírito? Ou algo inerente ao corpo físico? Será ela a rainha que reina sobre a dualidade?
Não há blasfémia na verdade. Nem em quem pergunta porquê.
Pois o seu sentimento procura entender o que o aqui trás. É um direito! Não uma vontade impenetrável. Só não chega lá quem não consegue aguentar o que se esconde por detrás da aparente inocência que a vida comporta.
Deixei a língua roçar, não trincar, afagar, acariciar, apertar, tocar por fim lamber a lânguida erecção do pêndulo do saber. Sobre sabor exótico, no ninho do antever, o cio manipula cinturas que se aninham, e da tentativa do seu aperfeiçoamento, eclode a comoção obscena da panorâmica da cópula.
...a carne contra carne, sacia a alma que não vive em pleno orgasmo. Seios lambidos, dentadas que infligem doce dor. O inesperado caminha lado a lado com o vento que se dá por anunciar. Os lábios incham, a paixão liberta-se, envolvendo tudo à sua volta, atravessa o tempo, o espaço e o coração. É invisível sobre o olhar mas visível ao sentir. Paixões são ondas de música imperiosa, soltas de convenções que os homens tecem.
A improbabilidade anseia ser possibilidade. Quer fazer magia! Rodopiar mares de fantasia! Criar mundos de alegria! Ser senhora e menina, sem nunca perder a certeza sobre aquilo que ama. De amor é feita! Pois a sagrada Vénus a rodeia. Sei a dor que contêm, pois em amor para sempre perdurará. É fonte inesgotável, de amor insaciável. Suporta o peso da não correspondência, e o poder de ansiar e tudo unir. Talvez filha de Vénus e Marte quem sabe? É por isso que se divide entre sexo e amor, entre paz e rancor. Paz sem guerra é o seu lema. Quer que a peguem ao colo e a levem ao esplendor. Deixem-na voar. Pois de asas de anjos é feita. São elas o seu escudo, tal como o seu refúgio neste mundo.
O que nos divide? Será a morte? Será a sorte? Ou simplesmente o amor? Para sempre sobreviveremos, perante a constante e enigmática mudança. É ao experimenta-la que salivamos, o incondicional estado de graça. Vivemos realmente entre a necessidade de alimento emocional, e amor carnal. Afinal em que mundo vivemos? No físico ou no espiritual? Serei Deus ou Homem? Sem ter a certeza do ontem. Fico na dúvida eterna sobre a incoerência que a dualidade acrescenta à minha consciência.