março 29, 2004

Absinto, Absinto aos molhos por causa de ti choram os meus olhos...
A fada do absinto segreda-me ao ouvido. Já não é deus. O todo é ele, e tudo somos nós, nós somos tudo, e deus é um só.

HIHIHIHI

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março 26, 2004

És um espírito que me atormenta
Uma vontade sedenta
Um amor perdido à gloria da incerteza
Em jejum permaneço até ao dia
Em que hei-de desvanecer
Como um anjo solitário pelos corredores
Do tempo que comportam a tua essência
Pois é da tua não correspondência
Que me vejo em apuros
Pois já não sei se o que sinto é puro
Confundes-me!
Deixo-me levar pela incerteza da tua vontade
Que me afronta, que me devora
Fico envolta pelo desejo
Esperneio!
Não consigo cumprir a vontade
Que na alma
Permanece por satisfazer

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março 25, 2004

Água

Uma criança apercebe-se que está vivo, porque lhe dizem. A criança curiosa vira-se a quem lhe é chegado e pede-lhe uma razão, uma explicação, sobre o estado de estar vivo. De seguida vê-se dentro de outra realidade. A de que não existe viva alma que saiba dizer o que realmente é estar vivo. Resolve então percorrer a dita vida em busca da verdade que esse mesmo nome comporta. Passados muitos anos passa a questionar, se a vida para nós não é um estado de formação e aglomeração, tal como a água tem três estados, liquido, sólido, gasoso. Podemos ter dois o vivo e o estar morto?
A questão aqui é que água vária de estado para estado nunca alternando a sua essência sendo sempre água e tendo simplesmente denominações diferentes para cada estado em que se encontra, sólido, liquido, gasosa.
Mas terá ela consciência que se transforma ou não terá ela a sensação de todo esse processo não o podendo confirmar porque está dentro dele.
Então a água não controla a sua transformação é o meio que a transforma. Ela apenas é água porque durante a sua transformação ela mantém a sua identidade. Só no estado líquido e gasoso é que ela se dilui e conjuga com os outros elementos que a rodeiam no seu meio. E mesmo mudando ela passa a fazer parte de algo maior, porque ela não desaparece mas sim é englobada, conjugada, misturada com o que existe à sua volta, metamorfoseada pelos componentes voláteis do mundo onde nos encontramos. Nós humanos que não sobreviveríamos sem água, tendo no nosso próprio corpo grandes quantidades dela. Porque não seremos então como a água e o resto dos componentes existentes neste mundo. Num processo semelhante que ocorre de milhões de modos diferentes. Nós tal como tudo o que existe neste mundo estamos em transformação permanente…Mas cabe nos também controlar essa transformação, manipula-la para obteremos um caminho melhor. Porque afinal a água em estado sólido encontra-se unida, nesse estado ela não se mistura porque é massiva, mas ela dilui-se ou evapora se assim o meio envolvente o ordenar.

Publicado por sc em 11:35 AM | Comentários (1)

março 21, 2004

Nada é impossível, o tempo é que nos é limitado.

Publicado por sc em 07:23 PM | Comentários (0)

março 14, 2004

Aos Mortos

E se o universo fosse uma estrela, e nós fossemos um raio de luz, ainda por expelir, ao partirmos desta vida, seríamos um fotão em viagem constante pela eternidade, iluminando um outro céu, um outro planeta, dando origem a uma outra vida...

Publicado por sc em 02:32 PM | Comentários (1)

março 12, 2004

Equilíbrio dialogo entre o Racional e a Intuição

INTUIÇÃO
O que pretendes?

RACIONAL
Sou a voz do teu eco! Chamo-te para a realidade. Consegues ouvir-me?


INTUIÇÃO
Sim. Mas na verdade, realmente não te quero escutar!


RACIONAL
Porque foges assim de mim? Afinal também sou parte de ti.


INTUIÇÃO
Não estou a fugir, estou simplesmente a ignorar-te não me serve para nada, Voz da razão! Se não for por ti, passo o tempo a voar por entre as vagas gigantescas da minha imaginação. Porque me chamas? Queres companhia? Pois, esqueci-me. A voz do raciocínio só pode existir se algo lhe fizer companhia. Se for ao contrário, perde a razão. Deixa de haver algo por onde ele se possa comparar e ajuizar! Esquece-se sempre que foi algo sem razão que o criou!


RACIONAL
Mas… Somos o mesmo ser! Não me podes negar!


INTUIÇÃO
Sim. Não posso negar que habitamos o mesmo corpo, criando dualidade incoerente. Faz-me pensar se realmente existe um verdadeiro equilíbrio, entre tal dualidade.


RACIONAL
É uma guerra!


INTUIÇÃO
Sim é! Infelizmente! O equilíbrio vem da troca das exactas proporções entre os intervenientes. Em nós, a guerra reina. O mais forte que se impõe a todo o custo ao mais fraco, pois não querer ser uma coisa nem outra…Esta parte de nós, não me agrada, nem faz parte de mim! Eu não consigo alcançar equilíbrio algum contigo.


RACIONAL
Tu nunca colaboras comigo!


INTUIÇÃO
Pois, claro que não! És tão lógico?! Como é que me queres??... Como é que queres que eu queira ser algo contigo? Eu não desejo isso! Eu quero poder navegar pelos mares da imaginação, juntar conceitos e deles fazer belos pratos sumarentos de ilusão e brincadeira. No intuito de poder alimentar a minha mente! Porque tu nunca te dignas a fazer planos, ai, na realidade que me incluam. Apenas desejas a todo o custo analisar dados e mais dados de processos incompletos pela falta de amor, atenção, etc. É patético!


RACIONAL
Também não é bem assim. Eu esforço-me imenso para tentar agradar-te. Mas não há nada que te satisfaça. Não compreendes que a única coisa que te poderá satisfazer, sou eu. É o nosso iminente estado caótico que te faz sentir incompleta. Como se te falta-se um bocado. Algo que nunca consegues encontrar por mais que te esforces.


INTUIÇÃO
Não, não é bem isso. A minha insatisfação apenas vem de ti. E não é de sentir a tua falta. É de sempre bateres à porta na altura errada, sempre a perguntar porquê. É devastador. Estou farta! Porque é que tem de haver um porquê para tudo?


RACIONAL
Desta vez não faço as pazes contigo! Vamo-nos dividir, não se fala mais do assunto. Não quero viver em dois mundos ao mesmo tempo. Ou um ou o outro! Escolhes tu. Ou, eu?


INTUIÇÃO
Retornamos ao mesmo problema! Estás sempre a pensar no que escolher. No que te irá dar mais prazer. Não compreendes que a maior brincadeira de todas é a própria vida. Poder escolher e depois logo se vê. Porque as coisas são aquilo que fazemos delas. Mas para ti não é assim. És tão pessimista que me chega a enojar. Põem uma coisa na tua cabeça: não se escolhe, aproveita-se o que se tem e o que nos é apresentado. Brinca-se e sorri-se perante aquilo que não se gostas. Essa é a atitude!


RACIONAL
Acho que não nos podemos dividir. Pensando bem não me parece que funcione assim. Porque tu não existe sem mim, eu não existo sem ti. Porque somos a mesma coisa.


INTUIÇÃO
Não, não senhor. Eu sou a intuição como também a imaginação, e tu o Raciocínio, dás voz a razão. Fazemos parte do mesmo corpo, mas não somos o mesmo. Como vês eu compreendo melhor o que se passa do que tu, insignificante razão de ser, questionas tudo em vez de abraçares a vida e os seus infinitos tesouros.


RACIONAL
Nada na vida pode ser descrito a não ser pela sua análise, é exactamente por isso que necessitas de mim. Queiras ou não estamos presos um ao outro. Sendo extremidades de um mesmo ser. Estou triste contigo!
Pois, és tu que não estás a compreender, que sou eu o racional que te dá acesso aos fantásticos e simples conceitos que usas para navegares pelos teus infindáveis mares de tormentos. Sim são tormentos! Pelo menos para mim. Tu nunca sabes distinguir, nunca sabes quando é a altura devida de parar. E depois envergonhas-me aqui na realidade onde infelizmente ninguém perde tempo a perguntar porquê. No fundo eu dou-lhes razão, não podemos parar e pensar no porquê dos outros o tempo todo, senão ficamos sem tempo para nós. Afinal é tudo uma questão de adaptação, tal como é a evolução. Só queria dar-me bem contigo. Mas nunca poderá haver tréguas com um génio assim.


INTUIÇÃO
Caro amigo. Tens de compreender que as emoções são para ser vividas, não para serem compreendidas. Isso tira-lhes a essência de ser. É isso que tu não compreendes. É por isso que queres que nos separemos! Tu que és a voz da Razão, responde-me então a essa simples questão: Como é que nos podemos dividir, sem nos aniquilarmos? Eu sei a resposta. Mas não a digo, como é lógico, ahahahah. Se te disser o romance acaba.


RACIONAL
Ah! Pois acaba. Não há dúvidas disso. Não estás entender que sou eu que te providencio essa necessidade quase frenética de imaginares, porque tu és aquilo que eu desejo ser. Eu também não gosto do mundo como ele é. Mas tenho de me adaptar pela simples razão que o mundo é como é, e eu tal como tu apenas somos uma partícula minúscula desse mesmo mundo. Intuição ouve o que te digo. Tens de focar-te, não te deves alienar do mundo lá fora, pois ele é a tua fonte de inspiração. E quem te alimenta sou eu. E vice-versa. Alimento-me como esperança, de um dia poder satisfazer os teus caprichos.


INTUIÇÃO
Não te desculpes. Vá, arranja uma resposta para a questão que te coloquei.


RACIONAL
De momento não sei! Mas espera mais um pouco que assim que a descobrir logo te direi.


INTUIÇÃO
Não, tem de ser agora. Pois tu queres equilíbrio, não é?


RACIONAL
Sim, é isso mesmo.


INTUIÇÃO
Espera deixa-me falar! Tu queres equilíbrio como quem estala os dedos. Tu mais que eu, deverias saber que o estado de equilíbrio é uma adaptação, uma aprendizagem. Não é chegar um dia e dizer que devemos de nos entender. Porque isso não é equilíbrio mas sim coacção.


RACIONAL
Agora dizes que te quero coagir? Que te estou a obrigar??? Não o estou! Como podes pensar isso?


INTUIÇÃO
Meu caro amigo, eu não penso, não avalio! Apenas sinto! Como não estou preparada para cedências, sinto que estás a impor algo sobre mim, e eu não gosto como é muito simples de compreender.


RACIONAL
Não consigo acreditar que seja essa a tua opinião!?!? Estou estupefacto!? Como podes pensar isso de mim? Afinal também sou parte de ti, sua ingrata!


INTUIÇÃO
Ingrata? Volto a dizer que eu não penso como tal não julgo! Não tenho essa capacidade, ainda bem! A função critica apenas a ti pertence. Eu apenas falo a verdade do sentimento. Eu englobo! Mas se tens dificuldade em me compreenderes, é melhor pararmos com a conversa. Pois de qualquer das maneiras não iremos chegar a consenso algum. Eu compreendo-te, mas tu ao que me parece ainda não entendes nada da minha essência.


RACIONAL
Se é assim que me encaras, será melhor ficarmos por aqui antes que eu perca as estribeiras!


INTUIÇÃO
Vê se te acalmas. Deixa-me projectar como é te vou dizer isto para que entendas.


RACIONAL
Mais uma tentativa. Espero que esta não seja frustrada…


INTUIÇÃO
Feliz ou infelizmente estamos encerrados neste corpo. O que queres fazer? Não podes fazer nada! Esse dito equilibro que tanto anseias é um processo natural. Não existe nada nem ninguém que o possa infligir ou mesmo infringir. Ele é por si só. Isto quer dizer que ele acontece ao seu próprio ritmo. É uma aprendizagem.


RACIONAL
Sim. Talvez seja isso. Eu não compreendo, como podemos ser tão diferentes. Depois no fim estamos encerrados dentro do mesmo pacote. O que é que isso quer dizer?


INTUIÇÃO
Eu ensino-te o que não é palpável, tu ensinas-me o que é concreto. Embora as situações ou realidades onde nós nos encontramos sejam diferentes, nós somos sempre validos. Pois representamos um determinado universo de acção. Mas é pelo nosso equilíbrio que o Humano onde nos encontramos tem acesso aquilo que eles chamam de realidade dual, que é o limiar entre o concreto que é representado por ti e o sonho a adivinhação a imaginação que sou eu que lhe incuto, ele assim passa a ser portador da dadiva do poder criador.


RACIONAL
Sim o equilíbrio, talvez seja ele o meu Paraíso.


INTUIÇÃO
Sim é! Mas tens de compreender que o equilíbrio não se dá pela força, ele é um processo espontâneo. Eu sei isto e aquilo, porque estou em contacto com os arquétipos. Além disso eu pessoalmente nunca achei a pressa e a força algo de produtivo, muito pelo contrário.

RACIONAL
Quando falas em equilíbrio, vem-me sempre a imagem de alguém que dita uma medida a ser achada. Depois vem outro alguém com uma fita medir o comprimento de tudo a sua volta na tentativa de encontrar meio-termo.


INTUIÇÃO
Estou cansada. Tu também estás. E o humano que é a nossa casa está exausto. Racional o que é preciso é ter calma e sabedoria e uma consciência limpa, o resto vem com o tempo. E tu sabes que ele é infinito.


RACIONAL
Sou intransigente porque sou cuidadoso, necessito sempre de uma certeza. E quando ela se apresenta contraria ás minhas expectativas o meu mundo cai e desfaz-se em lágrimas. Até amanhã. Sim sei que o dia a seguir ao de ontem é sempre um novo dia.

Publicado por sc em 01:12 AM | Comentários (0)

março 09, 2004

?...

Bebo o doce amargo que as fadas teceram ao anoitecer. Não é fel nem mel. Mal toca os lábios a alma arder e eleva-se à vontade do saber da saudade que em disparidade para com a realidade, liberta-se em ondas sinuosas em forma de cornucópias ciosas.

Publicado por sc em 03:31 AM | Comentários (0)

março 06, 2004

Principio

Lembro-me de tudo. Recordo vivamente de como era antes do fogo primordial. Apenas existia pensamento, desejo, querer ser, querer tocar, e sentir. Era tudo azul, um azul enigmático, semelhante ao azul claro do céu, misturado e diluído com rasgos de luz lunar prateada reflectida no mar. Eu morava no infinito, numa rua azul, primeiro fiz uma janela, era imaginária, não a podia tocar, nem a atravessar, nem vislumbrar, pois apenas era uma extensão de mim, mas era uma janela, tudo era imaginado, pensamento puro, nada tinha corpo, nada podia ser tocado, apenas pensado, éramos tudo e nada, cada um por si, unidade. Tanto pensamos que um clarão de fogo imenso atravessou o nosso pensamento de um lado ao outro, e conseguimos criar pela primeira vez. As várias unidades descobriram-se a si próprias, eram como que bolas impenetráveis, mas aquele estranho fogo circular criou extensões nas bolas que éramos e nos continham, e passamos a ser balões. Nem tanto à terra nem tanto ao mar tudo tem a sua medida certa.

Publicado por sc em 12:43 PM | Comentários (0)

março 01, 2004

RAIVA APENAS RAIVA

O amor morreu! Acho que realmente nunca existiu. Ele apenas reina nos corações cobardes que na vida passeiam. São como Deus nunca ninguém o conheceu. Alguns acreditam e usam-no apenas para poderem encarar a vida. Senão fosse a estúpida ilusão que ele cria, morreríamos de pavor no primeiro dia em que os nossos olhos se abrissem. Morte à ilusão, amor, e alegria. Pois eles não reinam neste mundo! Sinto o cheiro da podridão que advém da maresia de corpos pérfidos amontoam-se em pilhas de excrementos deixados pelos seus antepassados. Não existe remédio que os possa salvar ou mesmo curar. Foram eles que ditaram a sua própria sentença.
Não compreendem que é da coragem que se cria a imagem. Do caminhar advêm o recordar. Somos animais com sede de poder, esquecemo-nos que nada nos pertence. Nem mesmo somos nossos donos, pois somos governados pelas emoções. São elas fantasmas sedentos. Procuram glória e vingança. São memórias por esquecer. Elas fazem-nos morrer. Talvez para a próxima quando se lembrarem de criar seres. Recordem da borrada que foi criar macacos sem pelos. Eles próprios tem uma descrição para tal acto. “ Dar pérolas a porcos ” Que utilidade tem as pérolas a um porco? Eles tudo assimilam sem sequer classificar o porquê do sabor que lhes amarga a existência. Julgam-se senhores das emoções, mas são as emoções os seus donos. Escravos são. Pois os sentimentos não fazem parte da sua motivação!

Publicado por sc em 11:29 PM | Comentários (3)

Tenho calor, tenho uma saudade que me deixa intolerável. Não quero sentir magoa. Quero sorrir, quero ser o sol que desponta pela manhã. O arco-íris que se deixa revelar, ao som dos pingos que das nuvens caiem, e fazem o sol emergir pelo vasto céu azul. Quero ser um pássaro poisado num galho de uma árvore a assobiar cantigas de embalar. Quero ser o vento quando estou irada, para poder ver quanto amor me falta. E ser o calor de uma tarde deslumbrante, e nela ser uma única nuvem cor-de-rosa a boiar pelo imenso céu. Quero ser eu pois eu acredito em tudo. Sou um voto de confiança que não se deixa esvaecer, pela fatigante dor que o dia-a-dia deixa transparecer.

Publicado por sc em 11:16 PM | Comentários (0)