

A colisão do todo com o nada faz-nos reunir forças, unimo-nos e voltamos ao início, partindo do principio que não retorcemos, apenas o tempo se revira perante o sofrimento, o corpo desfalece com a aparente realidade e tornamo-nos em tudo e nada…
2+5+4+1+9+7+4=5
5 - Numero da expansão, e do uso construtivo da liberdade...
Ainda te consigo ouvir a sorrir, lembro-me do fulminante sentir que o teu olhar despertava em mim. Lembro-me de todos os momentos, de todos os desvios e de todos os encontros. O sorrir dos teus olhos, a expressão dos teus lábios, os teus modos desajeitados, o corar da tua face, o nervosismo do teu corpo. E das mentiras da tua língua, a qual não experimentei...
...Apetece-me amaldiçoar-te, mas não o vou fazer, não te posso dar algo que já tens! Vou amar-te, assim dou-te algo que no fundo não tens...
Não me apetece conjugar ladainhas. Apetece-me amar-te em toda a profundidade da sacralidade. Mergulhar em ti como se fosses mar. Sou a areia da praia, mil e um pedaços do que outra ora fui. Inunda-me, consome-me, desfaz-me, mas deixa-me para sempre a teu lado. Juntos fazemos o verão, de Inverno a solidão. E para sempre em abraço eterno nos conjugamos, sobre o sol, sobre a lua. Ser para sempre tua...
Saudade do esquecimento, porque não me quero lembrar, da semente de alento, que plantaste no meu pomar. Não cresce nem desaparece. Não mirra nem vinga. Não é dor nem amor. É fruto proibido e não engolido. Nem o sol do sorriso lhe toca, nem a chuva a deixa morna, nem a terra a acolhe. Esta magoa, este marasmo que se eteriza, no ar do meu solene pensamento. Emoldurei-te em chapa gravada, em mantra cobiçado embutido de protecção pelos astros. Mas o meu barco já sem mastro perdeu-se do porto do teu aconchego. Agora derivo pelo mar do sentimento em busca de alívio. Mas apenas Letes me poderá salvar da dor que não me deixa descansar. Pois sei que nada me vai deixar esquecer, nem mesmo o esquecimento… talvez a não existência consiga devorar a tua ausência.
Numa flor rubra o meu corpo nu descansa, a pela clara contrasta com o vermelho aveludado das pétalas que nascem do meu coração. No céu em vez de estrelas vejo o teu olhar. Esse aterra na margem junto ao nascer do orvalho por criar. O vento do deleite faz a flor oscilar… e nisso ela eclode… estende-se pelo infinito fora em espirais ascendentes de murmúrios perpétuos, de toque ao de leve de eternidade, transportam o novo arquétipo da volúpia diluída em ternas partes doce de dilecção, a divina combinação do corpo com a alma. Em êxtase o corpo vibra como se de uma estrela cadente se tratasse… a alma jubila em torno do complemento e deixa de o ser, tornando-se espírito uno.
“Este sentimento de relação involuntária, será ele devido a um complexo activo, isto é, inconsciente. As emoções são como um momento em que o aço se encontra e uma chama emerge e passam a governar a consciência. Mas sem elas não distinguiríamos a inércia do movimento, e finalmente anima encontra animus, unem-se por contraste e complementam-se.” Julgo que o equilíbrio seja um diálogo entre nós.
A anunciação do amanhã… o rever do olhar… o sentimento que se liberta. Já não sei se é real ou ficção, de qualquer forma ele inunda-me de pensamentos, desejos, queres sem razão aparente… afinal que sentimento é? Que emoção desperta? Dela apenas fica a necessidade de união, de complementaridade. O que faço, nem sei distinguir o que sinto, apenas sei que desejo, anseio, espero, desespero pela onda que te trará de volta envolto em magia ao altar da minha alma.
Sobre a expectativa incerta do adeus, aparece o desejo iracundo que lampeja sobre o corpo, alma e razão. No altar da alma renasce a bênção da imagem emoldurada. Ranjo os dentes, tremo e temo… Anseio, sobre o seio do receio. Deambulo sobre o amanhã na esperança de encontrar o teu canto. Medito no como e porquê deste sentimento que me tomou de assalto, é impossível de descrever, impossível de conter…
"...forças imperfeitas num caso, perfeitas no outro. Ora, como é a força perfeita que é o tipo da força imperfeita, é esta naturalmente que tem de ser explicada por aquela: é a forma superior do ser, que fará compreender a inferior, e não o inverso. O dinamismo psíquico será pois a chave do dinamismo mecânico. O espiritualismo dará ao materialismo o que lhe falta, completando-se, por esta insuflação do espírito na matéria, a compreensão ao mesmo tempo positiva e especulativa do universo."
Antero de Quental, As Tendências Gerais da Filosofia na 2ª Metade do sec. XIX
Por favor, caros leitores.
Façam agora o favor de se darem ao luxo de imaginar por um momento um rolo de papel higiénico gigantesco.
(adivinhem lá o que estava eu a fazer quando me surgiu esta magnifica e extasiante ideia.)
Já o conseguem ver, afigurar, congeminar, visualizar?
Pronto! Agora imaginem que ele é do tamanho do universo. O qual nós não fazemos ideia se é ou não infinito. Tal como o papel higiénico, só damos conta quando ele acaba.
Fogo, é chatíssimo então quando estamos numa casa de banho publica e ficamos a pensar que grande merda, e agora… que se lixe. Mega nojo….
Ah! Ninguém sabe a origem do universo. Nós também não sabemos as do papel higiénico, mas enfim, que diferença pode isso fazer?
Nós só realmente nos vamos preocupar com o fim do universo na mesma medida que nos desassossegamos quando o papel higiénico acaba e ficamos mesmo agarrados…
Bem, acho que podíamos viver sem o papel com o qual limpamos as nossas partes íntimas, talvez se tomássemos banho uma vez por semana teríamos condições de higiene íntimas que não nos provocasse muitos infecções e doenças venéreas….
Como a pior coisa que nos podia acontecer, era o universo acabar. E vejam só a similaridade, quando estamos a fazer o serviço estendemos as mãos para o papel, e ele já era…
Agora imaginem que o acto de alguém limpar o rabo, é a morte física do papel higiénico. O papel aqui também não desaparece, ele transforma-se, recicla-se.
Como se passa-se de uma realidade para outra. Que é a realidade da casa de banho para a realidade da fossa.
Aposto que quando morrem e se por ventura voltarem, tipo, como aqueles relatos de pessoas que são dadas clinicamente como mortas e depois voltam, e descrevem o que viram.
O papel higiénico, bem, esse…
Ui, deve ter cá uma história para contar.
Com toda certeza que em vez de relatar uma luz branca intensa, deve descrever sim que vai por um túnel tanto claro como escuro. Uns dizem que vêem, algo branco, outro dizem que castanho, amarelo ou mesmo encarnado. É melhor não irmos por este caminho de alogia tresloucada. Podemos com certeza imaginar que demais objectos onde o papel higiénico no fim poderia poisar.
Vamos então deixar por conta da imaginação de cada um, a elaboração de um cenário, o mais agradável possível.
Vamos imaginar que o nosso estimado papel higiénico desceria por um fantástico arco-íris de cores sombrias e nauseabundas. Julgo que seja mais que suficiente, para não nos enjoar.
Como é lógico, é uma realidade diferente, nós podemos não ter a capacidade e meios tanto físicos, técnicos, psicológicos, e espirituais para compreender o plano de existência do papel higiénico.
Enfim...
Vamos imaginar, que existem pessoas que conseguem ver as consequências dos caminhos que os outros escolhem, e por mais que gritem, por mais que se espremam, por mais que os tentem avisar, por mais que tentem, tentem, tentem… não os conseguem alcançar, é lhes dado apenas o direito de observar. Umas vezes os caminhos e as consequências são bem sucedidos, outras vezes maus, outros belíssimos, outros péssimos. Como é que essas pessoas conseguem viver em paz, sabendo dos tantos caminhos errados escolhidos pelos que os rodeiam, o medo que se deve instalar, a dor que comporta a verdade… A incapacidade de a alterar, pois supostamente apenas existe uma realidade, a da verdade, a do porquê...
Estou no fim do arco-íris. Perdi-me na minha própria imaginação, mal ponho os pés no chão o caminho de volta oculta-se como a lua nova.
Salto de vaga em vaga. Dirijo-me a máxima velocidade. Tento atingir o horizonte e não consigo.
Uma papoila dança ao sabor do vento, provocado pela maresia irada e estraçalhada que bate contra os rochedos. Ela deixa-se levar pelo vento sem sentir medo. Uma nuvem que passa acalma o vento, a papoila faz uma vénia ao sol que se põem sobre a linha horizonte, e a noite nasce esbelta e inundada de magia. É o véu da sabedoria…
Imaginem que cada gota que existe no mar é uma história por contar. Contam sabedoria e fantasia. Agora voltem a imaginar que cada gota se transforma numa flor. O mar deixaria de o ser. O mundo ficaria inundado de flores de mil cores.
Uma porta ao longe dentro da minha cabeça, dá para a sala da memoria. A sua fechadura está velha e enferrujada. Tenho de ir lá arrumar os arquivos que já não fazem falta, deitar fora o que já não tem utilidade. Ao rodar a maçaneta da porta da sala da memória, essa cai-me sobre os pés. Verdadeiramente eu não quero lá entrar. Pergunto-me porquê, e de imediato a maçaneta responde irritada: seja bom ou mau o que quer que estejas contido na sala, é te a ti, e tu és o que lá está.
-Vem comigo vou mostrar-te, onde nascem as almas. Vês este campo de rosas, ele é infinito e suas rosas gigantescas são o berço das almas. Ai tudo se transforma em conhecimento, cada rosa tem uma cor específica que lhe é atribuída pelos senhores da luz conforme a inclinação de cada alma. Sabes uma alma apenas é um conjunto de muitas ideias e formas, que se unificaram num só, devido a sua compreensão sobre como realmente são. São algo que começou a entrar em harmonia com o todo, é por isso que continuam sempre em busca de mais e mais conhecimento pois é ele que os porá novamente em consonância com o todo. É confuso não é? Mas no entanto tão maravilhosamente simples. É claro que compreendes que as rosas são apenas uma maneira poética de poder mostrar como tudo acontece. Pois é um processo tão subtil de convergência que não existe, maneira de a entidade ter realmente consciência desse mesmo processo. O que mais te posso dizer é que à medida que o nível de harmonia com o todo aumenta mais cores adquirem. No universo tudo são processos, maneiras de ver pontos de vistas diferentes, tal como sensações, pelo menos para nós humanos. Tal como também no universo conhecido por vocês a dualidade também reina satisfatoriamente. Repleta de esplendor tal como de brutalidade por vezes incompreensível. Então se uns evoluem e aumentam o conhecimento outros diminuem. Embora por vezes só mesmo para poderem recarregar energias para poderem ver a vida de outros pontos de vista menos densos e egocêntricos. E o engraçado no meio de toda esta dualidade é que realmente não existe nem bom nem mau, pois ambos lutam para sempre para tentarem superar-se.
-Como é belo, tudo o que vejo. Agora consigo tentar compreender, olho em meu redor e tudo o que vejo são gigantescas rosas das mais diversas cores, estão espalhadas por um espaço infinito, umas apenas são bolas de uma só cor outras rosas maduras com pétalas de cada cor, outras a cor oscila outras tem cores garridas, outras pálidas outra negras, e vejo tudo isto tão de perto como de longe tanto como observador como fazendo parte delas…
O ego perante a grandiosa consciência do inconsciente dilui-se...
Rubros os olhos daqueles que não vêem a chama que o amanhã teceu...
No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.
Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.
No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.
-Recordas-te do nosso êxtase antigo?
-Por que razão acha que ainda consigo?
-Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? -Não
-Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! -É possível.
-Como era azul, o céu, e grande a esperança!
-Mas é pró negro céu que hoje se lança.
Lá caminhavam plas aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas.
(FESTAS GALANTES)
Paul Verlaine, " Poemas saturnianos e Outros", Assírio & Alvim
O vento da outra noite derrubou o Amor
Que, no mais misterioso recanto do parque,
Nos sorria, ao esticar malignamente o arco,
E cujo ar nos fez meditar com fervor!
O vento da outra noite derrubou-o! O mármore
com o sopro da manhã, disperso, gira. É triste
Olhar o pedestal, onde o nome do artista
Se lê com muito esforço à sombra de uma àrvore,
É triste ver em pé, sozinho, o pedestal!
Melancólicos vêm e vão pensamentos
No meu sonho, onde o mais profundo sofrimento
Evoca um solitário futuro fatal.
É triste!- E mesmo tu, não é? ficas tocada
Plo cenário dolente, embora te divirtas
Com a borboleta rubra e de oiro, que se agita
Sobre a alameda, além, de destroços juncada.
( FESTAS GALANTES)
Paul Verlaine,"Poemas Saturnianos e outros", Assírio & Alvim
As tuas lembranças rodopiam
Sobre o vento que amacia
A bacia onde a sabedoria
Se banha em cola
Que tudo entrelaça
O chamado enlaço
A matriz, a verdadeira
E única meretriz
A vida, o sonho, o acordar
Reparar no ajeitar
Que provoca o criar
Do amar, voltar a recordar…
Folhas Bolhas Outono Inverno Céu aberto Luz estrelar Incerta Dispersa Sobre a terra Incrédula Inconvicta Pirata Cego E coxo O mocho Grita Uivos De sabedoria Pela noite Fria A melodia Conversa Sobre O estado Da alegria Num prado Inundado De papoilas mil Dentes-de-leão Rodopiam De mão em mão O vento Transpira Suores Orvalhos De prazeres Inconfundíveis Imprevisíveis Maravilhas Vidas De algodão-doce Balões Ao longe Soltam Uma canção O sol É o dó maior Murmúrio De confusão Alusão A noite Cai de Inverno Frio que brilha Estrelas Que tecem Mundos de fantasia Instrumentos Coerentes Carregados De melodia Impressionista Contorcionista.
Graforreia
Pela a areia
A maré
Lava a fé
Do sopé
Que cobre
O pé
Da montanha
Que nos desdenha
Queremos a subir
Mas estamos
Sempre a cair
Sobre os fenos
Do ontem, hoje e amanhã
De manhã
Cantam os galos
De dia
O homem guia
O caminho
Que há-de vir
Corrige a gíria
O que passado
Deixa investir
Sobre o devir
Eleva-nos Fé, Gloria e Graça
Esperança cobre-nos
De cobres
De ocre
De safiras e esmeraldas.
Sinto que estou a boiar no meio do vasto mar.
O dia passa perante o meu olhar, dando solenemente a vez à noite para reinar. O sol desce de vagar pelo horizonte que fica inundado de mil cores inebriantes, como se fosse uma palete de tinta de um pintor qualquer. Agora o céu é salpicado com um pincel suave, rente ao horizonte o desenho é composto por varias nuvens cor-de-rosa com feitios delicados. Mais a cima o céu fica azul quase negro cheio de salpicos prateados que simplesmente iluminam a eternidade.
Rasgo uma folha de papel. Corto-a com as minhas próprias mãos em pedacinhos tão pequenos, que quando vou a separar o ultimo, eles caem todos por entre os meus dedos. Furam a atmosfera negra do breu do infinito. Deixando realçado o branco imaculado do papel. Podia ter escrito algo no papel. Assim o papel tinha a companhia das palavras que outrora se desprenderam do meu pensamento.
Ele diz: Parar é morrer!
Ela diz: Parar é ver, olhar em redor e vislumbrar o que originou um acto, um pensamento, o que significa a memoria que se esconde por detrás do véu da dor. É ao a encararmos que a libertamos. Deixa que ela voe pelo infinito até se tornar em prazer e alegria no recordar.
Lembro-me de tudo. Recordo vivamente de como era antes do fogo primordial. Apenas existia imaginação, não forma. Era tudo azul, um azul claro brilhante. Eu morava e continuo a morar no infinito. Antes morava no azul de mim própria, mas o fogo, o fogo circular espalhou-se em ondas pelo o todo, atingindo todas as unidades, e segredou-lhes que tinha dado uma cor diferente a cada unidade do todo, e a unidade viu-se a ela própria. O todo ficou espantado, como podiam ser tão diferente e no entanto exactamente o mesmo. Então nasceu a curiosidade do todo com o fogo primordial e cada unidade saiu disparada para poder conhecer a sua parte. Mas o que o fogo circular não disse, foi que elas ao entrarem em contacto umas com as outras criavam novos algarismos, e apesar de se poderem ver, sentir, tocar, realizar, elas para todo o sempre teriam de ser unidade, pois eram a criação.
Até se podiam dividir, podiam fazer o que quisessem, mas o todo nunca as iria deixar esquecer que são ele e ele é elas por mais fragmentados que tivessem, por mais divisões que possam ocorrer elas sempre serão ele próprio em crescimento porque estão dentro do todo e para sempre elas serão ele.
Supondo que em nós existe a busca eterna por um complemento como se procurássemos um bocado de nós mesmos, aquela parte que nos diz que nos falta algo. Nós ao mentirmos, ao nos encobrirmos, estamos a impedir a nossa busca. Só através da sinceridade se pode alcançar o complemento vero, pois quando nos formos ver ao “espelho” descobriremos que as faces são complementares. Ao mentir, ao ocultar seja o que for sobre a nossa identidade a busca torna-se impossível.
Todos temos mecanismos de defesa, eles existem porque na verdade as pessoas não têm o sentido de aceitação apurado e questionam tudo o que lhes é estranho em vez de o abraçarem, estão tão fartas de coisas perniciosas que se ocultam por trás de sorrisos sem sentido. Um dos mais comuns mecanismos de defesa é nos escondermos dos outros, fingimos que não somos indivíduos mas sim qualquer produto fabricado pelas leis sócias, económicas e morais. Tudo com medo que os outros não os possam não apreciar, mas é a nossa individualidade que nos torna únicos. E o complemento é ao fim ao cabo algo que se preenche automaticamente porque algo lhe pertence. O nosso complemento funciona como uma peça de um puzzle. Porquê insistir em unir peças que não são complementares?
Ética
Moral
Lamaçal.
Noctiluca
Tentacular
Envolve-nos devagar
Aconchega-nos sem igual
Noctâmbulandeando
Por entre castelos
De sonhos erigidos
Cavam o solo
Desprotegidos.
Sonho
Vivido
Não físico
No entanto real
Ele fala comigo
Diz-me o que eu digo
Sobre o dia por vir
Viro-me, fecho as janelas
Corro pelas frestas
Rumo ao infinito
Bancos de areia
Nuvens e poeira
Amontoam-se em novo mundo
Atmosfera rarefeita
Busca consistência
E subsistência…
Almas unem-se na esperança de encher a pança.
De pernas entrelaçadas sobre gritos perdidos
O vento rema sobre o mar indisposto.
O Contra-senso contracena com sentimentos, pensamentos, elementos.
E de costas para o vento o relento insistente cai em bainhas por entre nuvens de magia.
O que o amanhã teceu, ninguém consegue esclarecer, pode ter sido criado tanto ontem como amanhã ou mesmo hoje.
O segredo por desvendar encolhe-se ao ser ameaçado.
A alma jubila por prazer na alçada do ser.
A sinistralidade de não conseguir resolver a matemática que ficou por se esconder, são filamentos de números que correspondem a palavras, sons repletos de acontecimentos assemelham-se a murmúrios por construir.