A independência de Urano?
Ele está afastado de Gaia.
Multiplica-se em tempo,
Na vã tentativa de novamente possuir
Gaia.
Ele quer voltar a preencher o seu ventre,
Pois dá-lhe alento,
E a ela sentimento.
No seu interior ela é ardente,
Mas de sentimento independente.
Urano chora para sempre a perda,
Do doce sabor de Gaia.
Suas lágrimas vêem-se cair,
São fragmentos de cristais
Que dão luz à noite obscura.
Temo que o desejo,
Tenha partido.
Fugiu sem querer...
Quebrou-se como um vidro.
Até a ânsia se torna rotina,
Por isso também se torna esquecida e perdida.
Nuvens de prazer,
Inundam-me o ser.
Não quero acordar
Para ver,
O que se esconde,
Por trás das tuas motivações
Sei que claridade
Não encerras nessa mente inquieta
A pobreza da alma
Que te atormenta
Cria pensamentos distorcidos
E cheios de falhas
As quais são indigentes
Estás perdido no meio
De almas sedentas
A tua visão está
Coberta de falta de razão
Que te faz sentir
Estrangulado pela carência
De emoção que também
Conténs nessa mente
Fértil de imaginação
A criação é a tua solução.
Destino: “combinação de circunstancias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável; situação resultante dessa combinação. Emprego, aplicação. Fatalidade. Direcção: lugar a que se dirige alguém ou é dirigida alguma coisa.”
Se tudo é tecido antes do acontecimento em si, o que origina o quê? O ovo e a galinha são uma constante da vida. Ou aceitamos e seguimos em frente ou mergulhamos no nascer do amanhã.
As pessoas são os dentes da roda dentada da engrenagem da vida, unem-se e separam-se sempre que necessário, forçar a sua aproximação ou as afastar significa que a roda se avariou.
Universos, dimensões, realidades, impressões, saturação, maturação, coesão.
Palavras, imagens, sons, miscelânea de parábolas.
Unidade, veracidade, curiosidade, impossibilidade.
Caos, nulidade, possibilidade.
Amanhã, hoje, ontem.
Ontem, hoje, amanhã
Hoje, amanhã, ontem.
Hoje, ontem, amanhã
Cornucópias aladas, rasgos efémeros na pele da carne sangrada.
Procurei, procurei, pedi e encontrei. Em vagas chegam. Confirmam ser a mesma alma. Agora que os encontrei, pergunto-me, quantos bocados de alma tenho ainda espalhados pelo o mundo… espero que não muitos, pois já mais poderei escolher algo que por natureza me pertence…se calhar é apenas um, aquele que me preenche, aquele que me contenta…
Fausto é teu nome, aquele que não sabe o que fazer com aquilo que sabe.
Fausto, claustro físico de suporte à alma que grita e desespera por amor.
Como pode ele saber do que necessita se nunca o teve.
Não te preocupes, eu depois desço ao inferno e salvo-te.
Estou hipnotizada, envolta numa onda de ti mesmo,
Torrente de gemidos, inundação de amor…
Escrever na carne, palavras de desassossego, inquietação:
Esquerda, direita, direita, esquerda
Sigo em frente, rente à ladeira
Por entre a poeira entorpecida da vaga encrespada,
Coberta de espuma branca turbulenta cinzenta tal como luar semi cheio
O Azul da abóbada celeste,
Pontos saltitantes dispersos no ar,
Chamas que vieram do ontem, do agora e do amanhã
Serás uma estrela cadente!?
Pensei ser venus, tu o sol
Louca cabeça alheia ao mundo
De sonhos vive, de razão se divide.
"Love knows no virtue, no profit; it loves and forgives and suffers everything, because it must. It is not judment that leads us; it is neither the advantages nor the faults wich we discover, that make us abandon ourselves, or that repel us.
It is a sweet, soft, enigmatic power that drives us on. We cease to think, to feel, to will, we let ourselves be carried away by it..."
Venus in Furs, Masoch
Modela-se a argila para com ela fazer vasos,
mas é do vazio interior
que depende o seu uso.
Numa casa abundam portas e janelas,
é ainda o vazio
que permite habitá-la
O ser tem aptidões
que o não-ser emprega"
Lao-Tseu, Tao-tö-King
Qual será a sensação de estar sentado numa cadeira na lua, a olhar a terra a rodopiar?
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,
Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,
Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.
Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.
Fernando Pessoa
UNIVERSO DAS EMOÇÕES
http://www.universodasemocoes.com/Article19.phtml
E se os buracos negros fossem umbigos de seres gigantes?