Impaciente.
Impaciência.
Incoerente.
Imagem.
As bolas,
Rodam sobre
As mãos
Do malabarista,
Na arena.
Da vida.
Corpos nus contrafeitos.
Sabores perfeitos…
Soluços…
Descrever o desejo.
O anseio…o prazer.
Num amontoado
De textos pragmáticos.
Ideologias nunca resolveram problemas.
Muito pelo o contrario.
O universo das emoções, escreveu, o que o amanhã teceu.
O som da tua respiração, junto do magma da minha ténue emoção.
O crepitar dos sentidos, unificados numa margem de vazio.
O coro dos químicos que nos unem em um oito.
Incógnita curiosidade, da morte renunciada.
A infinidade projectada num segundo imediato.
O orgasmo adiado. Palavras contorcidas ao ouvido.
O que o amanhã teceu morreu no dia em que esse se tornou ontem.
A secura que me corre pelas veias.
A dualidade da unidade.
A busca dos dois extremos do ermo.
A hipersensibilidade.
A luz fosca contida na realidade.
O holofote brilhante do que outra hora fora verdade.
O passado e o futuro imediato.
Mitos e lendas cavalgam em marés utópicas.
Serpentes de rabo na boca.
Sobre ondas ondulantes de absinto.
Minto quando penso que tudo poderia ser diferente
A carne dos lábios, untada de saliva.
O desejo que te contornou a face.
Os olhares que se trocam, sem se dar conta da realidade.
O sentir que nos consome.
A consciência do eco do passado.
Soa por todo o lado.
AMOR VIVO
Amar! mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
Duma doida cabeça escandecida...
Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos-
Mas amor... dos amores que têm vida...
Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...
Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?
Antero De Quental, Sonetos Completos
Chove, chove. Não chove só lá fora, chove aqui e agora.
Nuvens espartanas invadem-me a memória.
Consomem-me de dentro para fora.
Desilusão, confusão, desgosto,
Aglutinam-se na memória da retina.
Desgosto, desgosto, desgosto.
Dor, dor, dor.
Sentir, sentir, sentir.
Sentir demais, tão vorazmente, que apenas a mágoa sobressai.
Amanhecer na tua retina
Enroscada em lamurias vãs
O calor do teu corpo dormente
Chama o sexo adormecido
Fugaz toque acetinado
Suspiro abandonado
Aglutinado na minha retina…
O céu como palco,
O cometa desliza
Pelo verde que outra hora fora azul
Como uma estrela apressada,
Vinda de outro tempo
De outra dimensão
Com regras diferentes
Será a sua colisão
O palco onde se dá o
Choque de realidades?
Tecer quarteirões com os pés
Descrever o q se julga sentir
Fragilidade e muitos dades
Com algo anexado
Remetem circulares
De pensamentos endiabrados
Carrosséis de papoilas escarlates
Combatem nuvens espartanas
Pela posse da terra do nunca
Boneco de neve
Parido por uma avalanche
De estrelas cadentes…
Tudo o que é desconexo,
É magnético, no seu sentido inverso.
Pernas, braços, que trocam o passo.
A fatídica coincidência do trágico sobre meus braços.