Globalização: a sua estrutura assemelha-se à estrutura dos sistemas de troca do mundo envolvente. É tudo uma só coisa, no entanto essa unidade é constituída por várias subunidades tal como o 1, ele é igualmente 0,1;0,2;0,3;0,4;0,5;0,6; 0,7; 0,8; 0,9…
Necessidade de retomar à mitologia primordial. Adorar o que nos rodeia e aceita-lo em toda a sua extensão. Bem e mal caminham lado a lado. Bem vai do 0,1 a 0,5 e mal de 0,6 a 1. Também podemos dizer o inverso.
A tentativa frustrada da universalidade da individualidade. A universalidade implica um objectivo comum. No entanto a individualidade é por si só, um conjunto com múltiplos objectivos. Por sua vez o indivíduo faz parte de um conjunto que acaba por ser igualmente uma individualidade (sociedade onde se insere), ambos não existem um sem o outro, no entanto cada um têm uma vida própria. A transformação efectuada por cada uma das partes como peões, torna a universalidade dentro de um sistema de igualdade impossível. Pelo menos até ao presente momento. A humanidade está num processo de auto-conhecimento demasiado veloz para que cada individualidade o possa acompanhar na sua totalidade e em sincronia. No entanto se essa sincronia existisse, será que a mesma não produziria uma estagnação?
Não consigo escrever
Detesto páginas lentas
Estética
Estética
Estética
Envolvente suplicia
Arte sarcástica…
Rebentar com os miolos
Antes que eles rebentem comigo
Rebentar os miolos
Antes que eles, me façam explodir
Elogios
Utopia
Metáforas
Metáforas
Perdidas
Metáforas
Metáforas
Vendo relento
Feito por mágicos
Em analogia narcótica
Claro
Escuro
Adorar
O excitar
Língua
Lín – gua
Não
Não consigo
Não consigo escrever
Amar! mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
Duma doida cabeça escandecida...
Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos-
Mas amor... dos amores que têm vida...
Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...
Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?
Antero De Quental, Sonetos Completos
Linhas, fios de seda, enlaçados numa teia de aranha.
Uma auto-estrada de destruição.
O rumo para o infinito,
Dorme que nem um anjo,
Na madrugada do fim do mundo.
O que escrever quando tudo se tem a dizer. O que escrever, o que contar, sobre o que falar? Cruzar conversas, línguas, e promessa. Pensar as imagens, pensar em palavras, unir letra a letra. Em forma de treta. O humor é tão singelo quanto a perfeição de uma rima. Todo o seu processo é meticuloso, a conjunção de factores e parábolas são espontâneas, no entanto são vistas e sentidas numa determinada sequência e essa sequencia é magica e representa um universo quase que miraculoso, e arcaico. Mágico por assim dizer…
Escrever, num quarto escuro.
Palavras de luz encadeadas,
pelo o suor da imaginação imaginada.
Desenhar um auto-carro,
numa viagem enigmática.
O enigma da lua cruza a procura.
Correr pelo o vocabulário…
não conseguir encontrar uma só palavra.
As imagens que não se conformam.
E gritam por liberdade.
Uivam uma a uma, mas as palavras,
não se alinham.
Rodopiam, agitadas.
Na mente desolada
por um turbilhão de ideias
mal assimiladas.
Escrever,
escrever,
escrever,
num quarto escuro,
dentro da memória do passado…