"Considerar-me-ia o mais feliz dos mortais se pudesse fazer com que os homens lograssem curar-se dos seus preconceitos. chamo aqui preconceito, não ao que faz com que alguém ignore certas coisas, mas ao que faz com que alguém se ignore a si próprio."
O espírito das Leis, Montesquieu.
Os teus olhos mergulham, o som das tuas palavras envolve-me.
Dás-me a tua mão? Ou dou-te minha?
Há um abismo entre nós.
Saltamos um a um, ou em conjunto?
Há um abismo que nos separa.
Dá-me a mão.
O erro é uma constante da vida. Aparece e desaparece com o diabo esfrega os olhos. Só damos conta da vida, depois de termos nascido. Da morte, não sei. Ela aparece e não deixa rasto de identidade. A vida a individualidade. A morte o retorno à unidade. O erro, que nós faz baloiçar, pelas finas cordas da vida. Por vezes o erro acaba em morte. A vida acaba sempre com a morte… Não sei onde começa, a vida não revela o segredo que suspira.
Eu e tu, nós. Eu, tu, nós. Um buraco negro, sustentado pela velocidade a que as estrelas viajam. Uma galaxia recem nascida. Acrescida de salpicos dos restos da sua fornalha. Um estrela que se divide em mil e um pedaços. A morte e a vida associados. A dualidade que nos impregna o sentimento de pender para ambos os lados.
"Modela-se a argila para com ela fazer vasos,
mas é do vazio interior
que depende o seu uso.
Numa casa abundam portas e janelas,
é ainda o vazio
que permite habitá-la
O ser tem aptidões
que o não-ser emprega"
Lao-Tseu, Tao-tö-King
Temo que o desejo,
Tenha partido.
Fugiu sem querer...
Quebrou-se como um vidro.
Até a ânsia se torna rotina,
Por isso também se torna esquecida e perdida.