A memória é a capacidade de reteremos fragmentos instantâneos.
Existe um início que nos é desconhecido. Um retorno ao que fomos que nos mostra o que somos. Será que com a criação de uma palavra para representar um sentimento, se dá uma evolução a nível de consciência? desse mesmo sentimento e do modo como ele funciona? Senão nos recordarmos de algo. E senão tivermos acesso consciente sobre tal acto/facto. Sentiremos algum género de sentimento sobre esse acto esquecido?
A ermida da memória.
O traço do horizonte em espasmos.
Nós:somos a ermida da memória.
Sem nós ela não seria evocada, recordada.
Muitos, dadas, passam na mente.
A inevitável procura da resposta.
Leva-nos por marés utópicas de sonhos jamais sonhados.
Marés neptunianas, arredias. Irreais.
Subterfúgio.
Do medo de não se conseguir encontrar a razão.
O inicio do inicio.
Para poder dizer:
Começa aqui e acaba ali.
Será isso satisfaz?
Se o cérebro evoluiu de modo a hoje em dia termos a capacidade de memória e consciência. O que determinou essa evolução? Se a memoria e consciência se limitarem a serem formadas por um conjunto de neurotransmissores que por sua vez ligam neurónios. Qual a influencia da nossa alimentação (alzheimer: deficiência proteica que influencia as ligações neurais) e da pressão do dia-a-dia tecnológico sobre a estrutura do nosso cérebro? Que factores evolutivos podemos “prever” a partir dai. Pois se existem teorias que afirmam que o nosso cérebro se expandiu através da pressão ambiental e que cada vez que o homem adquiria novos métodos e novas tecnologias houve um aumento da capacidade de síntese.(o cérebro não cresce mais por falta de capacidade craniana
*podendo ser provado pela existência de pessoas que nascem com capacidades reduzidas de cérebro e esse expande-se; genes determinam igualmente o processo de ligação neural;) Então o que nasceu primeiro: a memoria ou a consciência?
O que o amanhã teceu, ninguém consegue esclarecer, pode ter sido criado tanto ontem como amanhã ou mesmo hoje. O segredo por desvendar encolhe-se ao ser ameaçado. A alma jubila por prazer na alçada do ser. A sinistralidade de não conseguir resolver a matemática que ficou por se esconder, são filamentos de números que correspondem a palavras, sons repletos de acontecimentos assemelham-se a murmúrios que ainda se estão a construir. Da sua edificação nasce a razão da paixão.
“The artist has breathed in the world to breath it out again; the philosopher has the world outside him and has to absorb it” Otto Weininger
A cortesia do momento cavalga sobre o cavalo hirto da memória. Em busca de alento e sedenta pela mágoa. O deslumbramento da mente está acima do nada. Impossibilidade tortuosa, sonhar, imaginar. A contingência do momento cego.