O HÁBITO FAZ O MONGE
A semelhança entre a aparente estrutura de funcionamento da nossa memória, e o método que usamos para nos organizarmos face ao ambiente à nossa volta e dentro de grupos, assemelhasse do seguinte modo.
O mundo à nossa volta imprime uma imagem que é filtrada pelo o nosso sistema sensorial, dá-se um foco de atenção, e essa informação passa para um nível, “acima”, neste caso de memória de curto-prazo para longo-prazo. No entanto o período de tempo pelo o qual esse registo fica fixado nesse nível de atenção depende igualmente no factor emitido pela motivação/emoção.
Num sistema hierárquico temos vários degraus, o que diferencia esses degraus, são as cadeias de poder que se formam na maior parte das vezes baseadas em conhecimento e a nível empático. Num sistema hierárquico há possibilidade de ascensão ao poder dependendo de vários factores igualmente associados a conhecimento e empatia/motivo. Há medida que se dá a ascensão, pelos os vários níveis da hierarquia temos a distribuição de conhecimento, o indivíduo que está no topo da hierarquia tem maior acesso ao conhecimento, logo mais apto a resolver problemas.
Tal como no sistema de memória, quanto melhor conseguirmos identificar a origem/solução para determinado facto, mais aptos estamos para analisar uma situação.
Poderemos funcionar em sistemas hierárquicos por defeito do nosso sistema de memória, ou porque a evolução assim moldou. Porque há medida que facto X se vai repetindo, um grupo de neurónios são activados e criam um sistema de “alerta” baseado em respostas físico-emocionais, que desencadeiam um comportamento baseado num registo de eventos similares. Depois temos a tomada de consciência desse facto com o mundo que o rodeia, e o modo de o controlar.
É numa perspectiva “global” que se dá a necessidade de organização, onde cada instância de funcionamento faz parte integrante da própria estrutura de uma forma semi-dependente. E onde cada instância de funcionamento é por si só uma estrutura em si mesma, no entanto dependente da estrutura que cada instancia no conjunto forma.
Segundo a história evolutiva actual podemos apontar que tanto a memoria e a capacidade de organização se desenvolveram possivelmente em simultâneo, no entanto resta determinar o que impulsionou uma coisa e outra. Sabemos que os animais possuem um sistema nervoso, que em algumas espécies é mais complexo que em outras. Por exemplo do Homem para o Chimpanzé temos traços semelhantes os Chimpanzés usam igualmente ferramentas para capturar alimentos. Podemos dizer que existe uma propensão para o desenvolvimento do sistema nervoso, quando este está exposto a determinados ambientes. No entanto também podemos dizer que tem de haver uma ignição para o desenvolvimento do mesmo.
Tal como com relação a capacidade de consciência. Se esta for determinada como um género de cadeia evolutiva da parte do sistema nervoso, e por desenvolvimento da memoria e capacidade de associação, dando-nos a capacidade ao longo de gerações de uma maior síntese do mundo que nos rodeia, e novas capacidades com relação ao modo como nos organizamos, visto termos acesso ao funcionamento do que nos rodeia, logo uma maior capacidade de analise.
Como se tivéssemos dentro de um labirinto. A única maneira de ultrapassar o labirinto rapidamente é nós elevarmos acima dele, no entanto na prática, o único modo de nos elevarmos acima do labirinto é a transmissão de conhecimento de geração em geração. Ao se transmitir um mapa do que já foi percorrido, aos recém chegados. Tal como métodos de organização essenciais que mudam de estrutura ao longo dos tempos, consoante as necessidades impostas tanto pelo o ambiente envolvente como pelo o próprio indivíduo.
"Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a terra, deveis embriagar.vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai.vos.
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais, já diminuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, á vaga, á estrela, á ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio, vos responderão: " São horas de vos embriagardes! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai.vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha"
Baudelaire
Chuva vertiginosa,
Beijo que deixa o coração caiado
De tons de rubi inflamado
É Dezembro o frio sente-se
Sai fumo pelas nossas bocas
Que se encontram e acalentam
O que o frio ríspido dita
A alma alivia-se pelo o toque…
Em murmúrio inesperado
A carne fica morna
E seiva entorna-se sobre o peito
E o gemido solidifica sobre a noite
Embacia e molda o nosso corpo em um, oito
E sobre o momento do coito,
A devassidão cria o que adia
O instante que cria.
O Vazio
"Trinta raios convergem para o centro.
Mas é o vazio mediano
que faz andar o carro.
Modela-se a argila para com ela fazer vasos,
mas é do vazio interior
que depende o seu uso.
Numa casa abundam portas e janelas,
é ainda o vazio
que permite habitá-la
O ser tem aptidões
que o não-ser emprega"
Lao-Tseu, Tao-tö-King