setembro 04, 2007

Paul Verlaine

Arte poética

A Charles Morice

Antes de qualquer coisa, música
e, para isso, prefere o Ímpar
mais vago e mais solúvel no ar,
sem nada que pese ou que pouse.
E preciso também que não vás nunca
escolher tuas palavras em ambigüidade:
nada mais caro que a canção cinzenta
onde o Indeciso se junta ao Preciso.
São belos olhos atrás dos véus,
é o grande dia trêmulo de meio-dia,
é, através do céu morno de outono,
o azul desordenado das claras estrelas!
Porque nós ainda queremos o Matiz,
nada de Cor, nada a não ser o matiz!
Oh! O matiz único que liga
o sonho ao sonho e a flauta à trompa.
Foge para longe da Piada assassina,
do Espírito cruel e do Riso impuro
que fazem chorar os olhos do Azul
e todo esse alho de baixa cozinha!
Toma a eloqüência e torce-lhe o pescoço!
Tu farás bem, já que começaste,
em tornar a rima um pouco razoável.
Se não a vigiarmos, até onde ela irá?
Oh! Quem dirá os malefícios da Rima?
Que criança surda ou que negro louco
nos forjou esta jóia barata
que soa oca e falsa sob a lima?
Ainda e sempre, música!
Que teu verso seja um bom acontecimento
esparso no vento crispado da manhã
que vai florindo a hortelã e o timo...
E tudo o mais é só literatura.

Publicado por sc em 06:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 01, 2007

Porque por vezes as coisas são a preto e branco
Porque por vezes as situações perdem a cor e o brilho
Muitas perguntas, poucas respostas.
Inúmeros espaços negros, poucos espaços claros.
O vento fugaz, o vento fraco, o vento calmo.
O silencio. O silencio. Ruído! Ruído!
Musica. Vozes, murmúrios.
Preto e branco, azul topázio. Verde-esmeralda. Ocre.
Porque por vezes as coisas são a preto e branco.

Publicado por sc em 04:21 PM | Comentários (2) | TrackBack